Dor de quem ama só
Os dias passam na sua lentidão amarga, espreita pela fresta da janela a esperança que tarda, os sonhos morrem a cada segundo dentro do cinzento. Pobre alma desfalecida, sem eira nem beira, perdida no real. Há muito tempo atrás era uma criança, que tinha uma vida toda pela frente, o direito de sonhar, acreditava que tudo era possível, tinha um plano infalível para ser feliz! Á medida que cresceu, tropeçou nas pedras soltas da estrada, caiu por várias vezes, por várias vezes que se levantou de cabeça erguida e olhos fixos no ponto alto da montanha. O seu objectivo era lá chegar. Nunca chegou, nem sequer começou a subida, ficou pela primeira pedra da encosta, não deu nem mais um passo adiante, caiu redondo no chão, sem forças, sem coragem, sonhar passou a ser proibido, pois feria a alma, fazia com que mergulha-se na dor profunda, em gritos animalescos e sem ninguém para o salvar daquele abismo. O corpo transformou-se no seu túmulo, mais frio e pesado que pedra. De todas as dores do mundo, existe a dor maior, daquele que ama sem hora marcada sem ponto de encontro, sem a luz do sol, sem o brilho das estrelas, sem horizonte e que jamais poderá partilhar o crepúsculo! Dor de quem ama só, de quem não pode gritar pelo seu amor, uma vida sem sentido que se arrasta pelos dias, a desejar que este seja o último...
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